Mídias não morrem

04/09/2019
Mídias não morrem

Fernando Morgado

A televisão começou em 1950 no Brasil, mais precisamente na cidade de São Paulo. Lá, bastaram seis anos para que a TV ultrapassasse o rádio em faturamento. E mais: além do dinheiro, a televisão rapidamente roubou audiência, programas e talentos do rádio. Por tudo isso, muitos afirmaram que o rádio não resistiria a tantas perdas e morreria. Mas eles estavam enganados. Passados quase 70 anos, o rádio não apenas sobreviveu, como se renovou em todos os sentidos.

Foi em 1995 que começou no Brasil a Internet comercial. É certo que ela revolucionou a produção, a distribuição e o consumo de conteúdo, mas, passado quase um quarto de século, a web ainda não foi capaz de ultrapassar a TV em termos de investimento publicitário e de audiência. Pelo contrário: muitos dos principais portais e redes sociais conseguem sucesso graças às atrações da TV.

Esses fatos comprovam que:

(1) Mídias não morrem. Mídias se complementam. Cada uma delas atende a demandas específicas em momentos e locais igualmente específicos.

(2) Vivemos o tempo do e, não do ou. Estamos em uma sociedade de consumo e, nela, a palavra de ordem é acúmulo. Isso vale para tudo, inclusive informação e entretenimento. Quanto mais opções nos oferecerem, mais consumiremos. Nosso cotidiano caótico comprova isso.

(3) Para que uma mídia morresse, não bastaria ser atacada: ela precisaria não reagir. E isso é impossível, afinal, inércia é algo que passa longe do setor de comunicação. Nunca surgiram tantas novidades em todos os meios.

Mídias não morrem. O que morrem são aparelhos antigos e métodos ultrapassados. Por exemplo: não fazer rádio da mesma forma como se fazia há 70 anos atrás não significa que o meio acabou. Significa apenas que ele se renovou. E este é justamente o segredo da sua eternidade.

Sobre o autor

Fernando Morgado é consultor, professor e escritor nas áreas de marketing, inteligência de mercado e comunicação. Possui livros publicados no Brasil e no exterior, incluindo o best-seller “Silvio Santos: a trajetória do mito” (Matrix, 2017). Coordenador-adjunto do Núcleo de Estudos de Rádio (NER) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Membro da Academy of Television Arts & Sciences, entidade realizadora do Emmy, maior premiação da TV mundial. Mestre em Gestão da Economia Criativa, especialista em Gestão Empresarial e Marketing e graduado em Design com Habilitação em Comunicação Visual e Ênfase em Marketing pela ESPM.