Ser ou não ser eis a rede social

02/09/2019
Ser ou não ser eis a rede social

O fato é que a conjugação nas redes sociais se tornou algo mais complexo que o português poderia prever. O “eu” passou a ser o “nós”; este, por sua vez, também concorre com o “eles”, ou seja, o individual não se restringe a sua singularidade, encontra-se dissolvido em múltiplas plataformas e, por isso, acaba assumindo posicionamentos alheios aos seus a partir das vocalizações nesse espaço dito público. O que pode ser uma possível justificativa para o aparecimento de lados tão extremos de pensamento no virtual.

A noção de convergência aqui apresentada parte do princípio de que as diferentes mídias tendem a ser ressignificadas na experiência dos indivíduos, gerando novas formas de vivenciar o fenômeno. O que pode ser aplicado ao desejo do Papa Francisco, quando diz: “peçamos juntos para que as redes sociais não anulem a personalidade de cada pessoa, mas que favoreçam a solidariedade e o respeito pelo outro na sua diferença”.

Entre o concordo e não concordo com o seu post, há uma série de implicações que estão além dos seus gostos pessoais. Afinal as redes sociais informam, mas não formam. Entendê-las, portanto, como um espaço da presença do Divino é propiciar uma experiência de convergência com Cristo. Uma intimidade cristã que pode ser ampliada para milhões de pessoas em um único clique. Pensar novas estratégias de utilização das redes é alimentar a fé diariamente em stories e feeds. Enquanto isso ainda não é uma realidade concreta ideal, comecemos a assumir nossas escolhas religiosas a partir da compreensão do respeito e da solidariedade. Afinal, “ser ou não ser” é uma escolha pessoal feita ao criarmos nossas contas na rede. Talvez esse pensamento já seja o caminho inicial para a mudança epistemológica que nós precisamos.