Servir a Deus através da Fotografia é um chamado?

18/01/2020
Servir a Deus através da Fotografia é um chamado?

 

Por Fernando Nunes

“Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens. Eles imediatamente deixaram as redes e o seguiram” (Mt 4, 19-20).

Simão e André não exitaram, não perguntaram como, apenas o seguiram. Cristo os chamou para desempenhar uma missão, por meio daquilo que sabiam fazer de melhor: de pescadores de peixes, se tornaram pescadores de homens (Mt 4, 19). Através dos seus dons, o Mestre lhes ensina a salvar almas e transformar vidas.

 

Também nós, somos chamados a desempenhar uma missão, colaborando na edificação da Igreja, o Corpo Místico de Cristo. Portanto, devemos ofertar ao Senhor os nossos dons por amor ao Reino dos céus. Assim, a evangelização por meio da fotografia é também um chamado de Deus.

 

O termo fotografia, dentre tantos significados etimológicos que possui, um em especial chama a nossa atenção: “escrita da luz”. Muitos dos termos utilizados na área tecnológica são próximos ou até idênticos aos teológicos. Na fotografia, não é diferente. Existe uma vasta riqueza destes termos, os quais precisamos aprofundar. Isso ajudará – não de modo absoluto – na compreensão do Sagrado e, através das imagens, transformá-lo em arte e instrumento de evangelização.

 

Servir a Deus através da fotografia é uma missão importantíssima nos tempos atuais. A imagem é algo crucial para a comunicação do homem, pois ela está inserida na maioria das mídias de comunicação, tanto tradicionais – no caso das mídias impressas –, como nas mais inovadoras. Os meios seculares de comunicação investem cada vez mais em imagens potentes, capazes de criar novas culturas. É inacreditável o quanto somos constantemente bombardeados por informações imagéticas, mas nem sempre com boas finalidades.

 

Por isso, responder ao chamado de Deus é essencial: ter a consciência que sou chamado a uma missão. No passado, grandes artistas se dedicaram a evangelizar por meio da imagem, agora a responsabilidade é nossa. Os fotógrafos, em sua grande maioria, ao cobrirem os eventos paroquiais, fazem da fotografia um instrumento de registro e atualização dos acontecimentos. Isso é importante, mas é necessário dar um salto qualitativo: precisamos passar do mero registro de eventos, para fotografias que sejam verdadeiras obras de evangelização.

 

Este modo de evangelizar exige preparo, sensibilidade e espiritualidade. As imagens palpáveis que reverberarão a imagem do invisível, sem o conhecimento necessário, obtido por meio de estudos e de uma experiência pessoal, se tornarão vazias de significado.

 

A fotografia religiosa é uma resposta dada por muitos fotógrafos que ouviam o chamado de Deus, mas não sabiam como responder. Por falta de conhecimento não viam esta técnica como uma missão.

 

Nosso trabalho silencioso atrás dos olhos mecânicos proporciona aos homens verem aquilo que está oculto. Por intermédio da nossa “pregação clicada”, falamos sem dizer uma palavra, rompendo até mesmo a barreira do idioma ou do grau de instrução.

 

Câmeras nas mãos e o coração na missão!